quinta-feira, junho 23, 2005

Funcionários

Que são muitos, ouve-se dizer, e que são pouco produtivos e saem caro ao País também. Que têm empregos vitalícios e carreiras com progressões automáticas que dependem mais do tempo que da competência, que barafustam e fazem greves sempre que alguém mexe com as suas regalias. Mas há um outro País, o dos que tiram as batatas da terra ou o peixe do mar, dos que fazem o pão que todos comemos, os que não têm vínculo a coisa nenhuma a não ser aos seus próprios braços e à sua inteligência, quando é caso disso. E estes não fazem greve, ou porque não podem ou porque não faz sentido. Neste grupo, além de estarem muitos que provavelmente gostariam de estar no outro, estão também aqueles que têm iniciativa suficiente para fazerem o seu caminho sozinhos, criarem o seu negócio ou arriscarem simplesmente nas suas qualidades de trabalho. Alguns são patrões, outros trabalhadores por conta própria, mas a maioria enfrenta um patrão todos os dias e sabe que a única garantia que tem (se é que tem) é a qualidade do seu trabalho. Infelizmente é só nesta categoria que é recrutado o enorme exército de desempregados, os que se calhar não tiveram sorte, os que não existem por não terem qualquer capacidade de expressão nem de reivindicação. A todos estes, e aos jovens à procura do primeiro emprego, toda esta agitação social por parte dos funcionários públicos só pode entrar por um ouvido e sair pelo outro. Talvez um dia, se alguém descobrir o segredo para unir e mobilizar toda esta gente, isto mude de figura. Talvez.

1 Comments:

Blogger Graza said...

Oops! Uma espécie de Povo Unido? Como teoria não é má! Mas parece que não dá...Mas acredito mais no povão do que no figurão...

11:56 da tarde  

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