quinta-feira, novembro 18, 2004

O cabo Gericota

era um mulato pequenino e sorridente, enfermeiro naquele destacamento militar. Uma manhã, ao içar da bandeira, exibição diária aos indígenas da soberania portuguesa, coube-lhe a ele ficar junto do mastro - um enorme tronco de eucalipto polido e espetado no meio do terreiro que servia de parada - e iça-la ao toque da corneta. Com os soldados perfilados em volta e em continência, não tinha a bandeira subido ainda um metro ou dois, e eis que o Gericota larga o fio e a bandeira, e se abraça firmemente ao poste abrindo as pernas e gritando para os outros: Fujam, fujam que esta merda vai cair!
Todos olhámos para cima e de repente, era cada um para seu lado em debandada geral, enquanto ele, num esforço hercúleo, tentava evitar o desastre. Só uns segundos depois percebemos que eram as nuvens baixas que passavam velozes por cima que davam a ideia da queda. Mas o corajoso cabo lá se aguentava com o seu sangue frio a segurar o mastro até que se apercebeu envergonhado da risota geral.
Calucinga 1971

14 Comments:

Blogger R.G.S. said...

Se ele continuasse agarrado ao poste não tinha visto o espalhanço que aconteçeu depois aquela gente ;)

Bela história... queremos mais.

12:30 da tarde  
Blogger Maria Branco said...

Magnifica história!!
Beijos, continuação de uma exelente tarde!

3:37 da tarde  
Blogger objectiva3 said...

Nuvens pró-indígenas...
;))

5:15 da tarde  
Blogger objectiva3 said...

Nuvens pró-indígenas...
;))

5:15 da tarde  
Blogger objectiva3 said...

Nuvens pró-indígenas...
;))

5:16 da tarde  
Blogger AS said...

... Ó rapariga! Olha que isto faz eco!...

5:21 da tarde  
Blogger Toix said...

Epá, a gaja enganou-me. E eu a pensar que tinha muitos leitores...
Bem, mas sempre é melhor uma boa que duas a voar!

5:27 da tarde  
Blogger AS said...

Olha, olha... Não me digas que acreditas que o número de comentários é equivalente ao de leitores?! Nah... Se fosse assim eu já tinha encerrado actividade. Ou não. ;)

8:39 da tarde  
Blogger AndreCunha said...

Olá, fiquei curioso acerca desta história. É uma história verdadeira? Aonde se passou? O nome do cabo é real ou fictício? Obrigado desde já pela resposta.

10:44 da tarde  
Blogger Toix said...

Obrigado André pela sua visita e o seu interesse. O cabo Gericota veio a ser mais tarde oficial da Polícia Angolana (foi a última vez que soube dele). Calucinga era um minúsculo povoado num cruzamento de estradas, oitenta km a norte do Bailundo, em Angola.
Um abraço.

9:41 da manhã  
Blogger AndreCunha said...

Olá, obrigado pela sua resposta! Estava curioso porque conheço aqui em Portugal uma família, oriunda da zona da Maia, cujo nome de família é Gericota. Sei também que no início do séc. XX alguns membros dessa família exerceram funções em Angola, nomeadamente ligados ao ensino, como se pode ler em "Primeiras Letras em Angola" Biografias de Mestres (http://www.angola-saiago.net/letras5ia.html) - "O nome deste agente de ensino aparece-nos a fazer parte do júri de exames de 1904, na cidade de Luanda. Aparece-nos, igualmente, como vogal do júri que fez os exames de 1906, juntamente com o P. Joaquim de Oliveira Gericota e o Dr. António José Cardoso de Barros, que foi procurador da Fazenda e da Coroa, e secretário-geral de Angola, o qual seria o presidente.". Bem, se o padre deixou lá família isso não é muito abonatório para ele, mas não deixa de ser curioso. Obviamente que também pode ter origem noutro Gericota que não este ou mesmo o nome ter sido "usurpado", no bom sentido, por alguma família nativa. Daí a minha pergunta quanto à localização e veracidade da história. Obrigado pela sua resposta. Um abraço.

6:07 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Natural de Calucinga envia-te um enorme abraço.Que a sorte e a fortuna estejam contigo.

11:09 da tarde  
Blogger catalao said...

Interessante a sua historia, poderá estar ligada talvez ao meu bisavô que Gericota que andou por Angola.

1:22 da tarde  
Blogger catalao said...

Ninguém percebeu a piada, o cabo enganou o pessoal e a seguir foi dormir a sesta.

9:47 da tarde  

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